quinta-feira, 25 de julho de 2013

Balançando o coqueiro para a gloria de Deus




Na missão tem um dito popular entre alguns missionários sobre buscar recurso que diz: “fulano esta Balançando o coqueiro”; o que significa que esse missionário quando está perto de alguém contando sobre sua vida ou sobre outra coisa qualquer, vai logo dizendo sobre suas necessidades financeiras para ver se “cai algum cocô” dessa balançada, depois de dizer nas entrelinhas ou diretamente mesmo o que está precisando ou o que está querendo.
Eu estava meditando no episodio em que Jesus envia os 12 para falar sobre o Reino de Deus e os avisa: não levem nada pelo caminho, nem bordão (na versão em inglês bordão tem mais sentido, pois traduz como Staff, em português seria obreiro), nem saco de viagem, nem pão, nem dinheiro, nem uma túnica extra. Lucas 9:3; e nessa meditação eu estava lembrando essa tal “balançada de coqueiro” que vejo quase sempre quando recebo cartas informativas de missionários; Não sou contra ninguém informar sobre o que necessita, mas não precisa fazer uma historia mirabolante e longa, cheia de desculpas para simplesmente pedir dinheiro.
Essa pratica de balançar o coqueiro vira algo tão corriqueira, que às vezes queremos fazer isso com Deus, indo ate Deus em oração e informando a Ele nossos desejos e necessidades e no meio dessa informação vem à “balançada” em forma de historia de terror!
Jesus ensinou e alertou aos 12 que não levassem nada no caminho quando saíssem a falar do Reino de Deus e acredito que Jesus não disse para levarem, porque o natural do ser humano é antes de sair em uma jornada de fé, é buscar firmar seu pé em um porto seguro humano para depois seguir sua jornada; mas com essa atitude, muitas vezes, estamos dizendo para Jesus que não confiamos plenamente nEle e nem em seu suporte e sim no que carregamos, nos bordões ( ou ajudas) que estamos levando no caminho.
Quando Jesus ensina que devemos pregar o Reino de Deus e logo mais a frente Ele diz que o Reino de Deus não é comida e nem bebida, Ele quer nos ensinar que o Reino não é nada perecível, que são coisas impagáveis, incomparáveis, são coisas onde não precisamos de dinheiro para tê-los, pois não tem valor mensurável, como PAZ, JUSTIÇA, LONGANIMIDADE, BENIGNIDADE, MANSIDAO, DOMINIO PROPRIO.
O Reino de Deus não se traduz em bens que acumulamos ao decorrer da vida como a teologia da prosperidade ensina, mas em como dominamos os nossos próprios sentimentos; acredito que se traduz com as ações que temos diante dos conflitos diários, mostrando que temos domínio próprio para reagir a situações difíceis com habilidade celestial, que vá glorificar Deus, que vai mostrar quem é o nosso Rei e do que Ele é cheio.
O Reino de Deus não é para mostrar quem somos, mas para apontar o que devemos ser em Cristo, como devemos agir tendo as marcas de Cristo em nós, agindo diferente dos padrões impostos por esse mundo cheio de esquemas e facilidades.
Eu entendo que nós seres humanos, temos a natureza de não confiarmos em Deus, e muitas vezes ensinamos que viver o Reino de Deus é não ter falta alguma em nossa jornada de vida, mas não foi isso que Deus disse, não foi isso que Jesus ensinou aos seus discípulos.
Eu não gosto de ficar sem dinheiro, mas é muitas vezes nesse tempo que conseguimos ouvir Deus falar de uma forma mais clara, pois estamos vazios (literalmente) de nossa humanidade, de nossas seguranças e como não temos para onde ir e em quem confiar, nos apegamos a Deus.
A vida na missão em fé eu sei que não é fácil, mas temos que ter a confiança que Jesus sabe o que está fazendo, e Ele não quer que levemos muita coisa para essa jornada, por que ele quer fazer milagres, ele quer nos ensinar a confiar que ele é provedor, ele quer usar e ensinar outras pessoas a participar dessa caminhada da evangelização, ofertando, ajudando de alguma forma, recebendo missionário em casa, entre outras coisas mais.
Que o Reino de Deus venha para a terra e que nós missionários possamos entender que não precisamos está o tempo todo balançando o coqueiro, pois temos alguém mais interessando em nós, do que nós mesmos e sabe do que precisamos e com certeza vai suprir tudo, ate mesmo a vaidade de ter uma Câmera Canon T3i (balançada) rs.
 

Joberson Lopes Lindale, Texas 25 de julho de 2013.

 

 

 

 

 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Ir à igreja e fazer tudo certo

Ir à igreja e fazer tudo certo: essa frase já foi cantada, foi escrita em livros, poemas, foi dita em piadas, em conversas de família, em mesa de bar; É uma frase que permeia a sociedade de uma forma geral, alguns criticando, outros crendo que isso é mudança de vida, outros apenas ouvindo e não se identificando, outros rindo e por ai vai.

O ato de ir à igreja e fazer tudo certo, já foi mais acreditado, mas hoje, em alguns lugares, virou refugio de bandido que não quer ser morto por alguma “trairagem” que fez com seus comparsas e escolhe a igreja como refugio e passa a fazer tudo certo, mostrando que “mudou de vida”.

Eu vou à igreja desde que eu me entendo por gente e sempre fui compelido, ensinado, disciplinado, discipulado a fazer tudo certo, mas isso não me livrou de fazer a coisa errada em diversas vezes na vida.

Fazer tudo certo é uma coisa fácil de cumprir, pois sempre fazemos a coisa certa quando estamos na presença de pessoas que requerem isso de nós. Quase nunca fazemos a coisa errada na frente do pai, mãe, do patrão, da patroa, do pastor porque sabe que se fizer, o porrete vem na hora, à correção entra sem bater na porta.

Ir à igreja ai sim que é mais fácil ainda, pois é só escolher no cardápio religioso de que gosto, gênero, tamanhos, locais e seguir em frente, pois será sempre bem vindo e sempre será uma boa atitude para as outras pessoas, alguém ir à igreja.

O que eu acredito hoje e tento viver, depois de ter ido à igreja e feito tudo certo, é entender que eu não preciso ir à igreja e nem preciso fazer tudo certo, pois Deus que é o criador de tudo e de todos, criou um plano de salvação para toda a humanidade, antes mesmo de nós irmos à igreja e antes de fazermos a coisa certa ou errada.

O que Deus fez por mim foi, me fazer ser igreja em meio aos meus irmãos, amigos, vizinhos que não fazem a coisa certa, não da ótica da legalidade, ou da religião, mas não fazem a coisa certa na ótica de Deus, que é amar ao próximo, o tanto que ele ama e se importa com si mesmo.


Fazer a coisa certa não é entregar o dizimo na igreja para que o pastor e as outras pessoas da igreja saibam o quão generoso você é, mas é saber que na dispensa do seu amigo de trabalho, as sardinhas e os ovos já estão pensando em casamento por passarem o mês todo junto e sozinhos, sem a presença dos amigos carne, verdura, frutas, leite, iogurte, chocolate por perto, como tem na sua dispensa.

Fazer a coisa certa não é pregar um excelente sermão para os irmãos da igreja e receber tapinhas nas coisas, mas é dizer para seu filho ao chegar em casa após o culto, o quanto você o ama, é sentar e jogar vídeo game com ele, é perguntar para sua esposa como foi o dia dela cuidando da casa e das crianças, é olhar para seu empregado e sorrir com ele e perguntar se ele está precisando de alguma coisa em casa, como está passando a família dele (sabia que empregados domestico tem família).

A maior parte do tempo que eu tentei ir à igreja e fazer tudo certo foi o tempo que eu fui mais falso com Deus e comigo mesmo, pois enganava a muitos com a minha aparência, com as minhas atitudes em diversas vezes, fazia as coisas certa para agradar o pastor, aos lideres, mas dentro de mim, muito do que fazia não me dava paz e muitas vezes não faziam sentido nada daquilo.

Hoje quando eu tento ser igreja da forma mais simples, entendo que o ato litúrgico não é o fim em sim mesmo, entendo que não é quantidade de agua, ou se é em rio ou piscina, se é por imersão ou aspersão, se é por um pastor ou por um missionário que se batiza, mas que o importante é o entendimento do que é o batismo e não seus elementos litúrgicos, que tem a importância para Jesus Cristo.

Ser igreja é mais que ir a igreja e fazer tudo certo é compreender o que está se fazendo, com o racional em ação e não o emocional se emocionando com os gritos que se ouve do púlpito; ser igreja é ouvir o grito que vem de dentro de mim tentando conhecer a Deus mais de perto sem as barreiras impostas pela religião.

O que me motiva a mudar de vida, a ser uma nova criatura, não me moldando as regras do sistema que o mundo me impõe é entende o amor de Deus amando mesmo sem ser amado, buscando os que o renegam, esperando por quem disse que não iria voltar... Isso sim faz que a minha vida de cristão tenha sentido.

Entender o verdadeiro sentido do evangelho, que me fazer ser igreja e ir para qualquer uma igreja, pois eu sei que não é o ato de ir à igreja ou fazer certo que me faz ser aceito por Deus, mas pela graça de Deus, eu posso dizer que sou aceito e sigo vivendo minha vida sem culpa, das minhas culpas.

Joberson Lopes Lindale, Texas 17 de julho de 2013.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Construindo Historia



   Esses dias tenho pensado em minha vida e em como está sendo construída a minha historia mesmo sem eu ter tudo planejado.

   Eu não posso dizer que estou colocando tijolo por tijolo porque eu não sei o que estou construindo, pois eu não tenho uma maquete ou mesmo uma planta baixa do que está sendo construído, mas sei que estou construindo algo e algum dia mais a frente eu irei sentar e olhar para tudo que passou e ver em que está dando.

   Às vezes parece loucura caminhar sem um mapa, construir sem projetos, sem saber o que está construindo, mas tenho a plena certeza que estou satisfeito no que estou fazendo mesmo sem saber onde vai parar.

   Nós seres humanos temos dentro de nós uma enorme necessidade de dar sentidos às coisas, mas tem acontecimentos em minha vida que simplesmente não tem como ter sentido ou razão. Outro dia eu era um morador da periferia do Valparaíso, uma cidade confusa de identidade, pois pertence ao estado de Goiás, mas é ao lado de Brasília e diante disso, algumas vezes é uma cidade esquecida pelos governantes e cheia de todos os problemas que muitos conhecem e foi de lá que eu vim e agora estou morando nos EUA.

   Não tem muito sentido nisso, para quem conhece a geografia de Brasília e do entorno dela, pois isso significa que quem morar nessas regiões de entorno, são pessoas que geralmente não tem uma renda maior que 2 mil reais e isso com certeza não é e nem nunca será uma grande tesouro, pois não se consegue morar nem dentro de Brasília que ao lado, imagina no outro lado do continente.

   Vivendo e conhecendo a minha realidade, acredito plenamente em milagre na minha vida, pois nunca fui passear em Caldas novas, que é próximo a Brasília devido à falta de grana extra para isso e agora me vejo morando nos EUA, um lugar almejado por muitas pessoas.

   Se você me perguntar se me orgulho disso vou dizer que sim, mas não do fato de morar nos EUA, mas do fato de não ter planejamento para isso e mesmo assim isso aconteceu fora dos planos e das logicas econômicas.

   O que me traz orgulho é entender através desse testemunho a fidelidade de Deus e a compaixão em ajudar uma alma como eu, que não tem muita coisa boa para se aproveitar e mesmo assim, Ele (Deus) quis gastar seu tempo e plano comigo, fazendo da minha vida uma vida nova e diferente.

   Algumas vezes vem um sentimento de derrota, um sentimento de inutilidade, mas quando lembro que Deus é muito maior do que o que carrego na minha caixa de imaginação, eu aceito que não sou um derrotado por não ter “vencido na vida” como muitos buscam o tempo todo.

   Viver a vida de missionário tem-me trago muitos conflitos, muitos questionamentos, muitos perguntas sem resposta, mas sei que isso deve fazer parte do crescimento e da caminhada. Todo lugar que eu for viver ou qualquer historia que for construir, vou ter que enfrentar esses medos, questionamentos entre outras coisas mais.

   O que posso acrescentar hoje para a humanidade com minha decisão de vida é confirmar que você pode ter suas escolhas e vive-las, mesmo não sendo a vontade de Deus para sua vida, pois se eu escolhi construir sem uma “planta baixa”, isso não significa que é a única forma de construir, é a minha forma de construir, é a forma que eu achei que mais me cabia e me desafiava a viver a vida em fé, mas como a fé é subjetiva, você deve ter a sua e as suas sensações e desafios próprios.

   Eu creio que a excelência em Deus entre outras coisas mais, é nós deixar escolher para onde ir, como construir nossa historia, de que forma, de que velocidade ou sei lá o que. Mas o importante é saber que mesmo Deus sendo superior a todos, eternamente poderoso, o dono de tudo, mesmo assim, ele decidiu nos dar a chance de fazer as nossas próprias escolhas e isso para mim é lindo em Deus, bem diferente dos homens, que querem apenas uma brecha para nós controlar.

   Nessa construção da vida, apesar de poder escolher o que quero construir, eu decidi entregar a liderança desse projeto para meu Pai, meu Deus que tem cuidado de mim e da minha historia de vida.


Joberson Lopes       Lindale Texas - EUA 04 de julho de 13.