sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Além da curva



   No fundo da minha casa tem um lago, onde às vezes pesco, às vezes sento de frente para meditar; é uma bela paisagem onde sinto muita tranquilidade, por isso às vezes vou ate lá fora olhar para o lago e falar com Deus, mas apenas hoje, me dei conta que esse lago tem uma curva, mas que eu não sei onde essa curva vai parar, devido à posição que fico.

   Na minha vida, por muitas vezes eu me pego olhando para frente e conseguindo enxergar adiante, como um lago sem curva, com uma estrada reta, mas em outros momentos, vejo curvas, algumas que posso ver para onde está indo e outras que apenas sei o rumo, esquerda ou direta, mas não consigo enxergar além.

   Curvas sem visão além, me traz insegurança, me faz andar com cuidado, com medo, pois não posso ver o que está adiante e esse momento da vida é onde eu ando com mais cuidado, pois é novo para mim e por isso vou mais de vagar.

   Estar disposto a viver é está disposto a andar por curvas e não apenas por estrada reta ou por lagos e rios com direção única; (A vida seria muito monótona se fosse apenas uma estrada reta e em velocidade constante).


   A velocidade e a direção de nossas vidas tem época que vai a 170 km/h ou mais, mas tem épocas que não passamos dos 20 km/h ou menos, pois temos curvas a passar e nelas temos que diminuir, têm lugares para olhar, temos pedras no caminho, que nós fazem diminuir o ritmo, mas que também faz parte do trajeto e não é porque não é uma estrada reta e de velocidade constante, que não faça parte do caminho.

   Muitas pessoas têm dificuldades em mudar de caminho, em pegar outra direção, em diminuir a velocidade, em fazer uma curva, simplesmente pelo fato de não está no planejado.

   A última grande viagem que fiz de carro foi de Brasília a Recife e eu escolhi uma direção a seguir, pelos conselhos de outras pessoas que já tinham feito o mesmo trajeto e esse conselho me deu certa segurança em fazer o trajeto, mas que não era o único trajeto a fazer e também não foi da mesma forma como o conselheiro me disse, pois eu estava em carro diferente, em dia diferente, em estação do ano diferente, com pessoa diferente dentro do carro, com expectativas diferentes, apesar de está na mesma estrada e com o mesmo rumo.

   A experiência do próximo pode ser boa e pode me trazer certa segurança, mas só depois que passamos pelas nossas próprias experiências é que podemos dizer como foi à viagem.

   Uma curva a frente pode parecer muito ruim para mim, mas para outro pode ser apenas mais um trecho da viagem, então o problema não está nas curvas e nem nas retas, ou nas estradas ou direção que o lago está indo, mas dentro de cada pessoa, pois temos que aprender a lidar com nossas expectativas, nossos medos, nossas incertezas, porque qualquer estrada que tenhamos que andar, vai ter curvas, retas, entre outras coisas mais, mas o diferencial vai ser a individualidade do viajante.

   Eu estou entrando em uma curva na minha vida, pois tinha planejado sair de Brasília para Recife, de Recife para EUA e daqui para África, mas pela bondade de Deus, recebemos um presente dele, chamado Julia e eu não me sinto confortável em levar minha pequena para um país sem muita estrutura e algumas outras razões pessoas que tenho, que me impende de ir nesse momento para África.

   A minha estrada que estava parecendo reta, nesse momento começa a aparece no horizonte, uma linda curva, que não sei onde vai parar, mas que aponta para o nordeste Brasileiro, mais precisamente para o Recife; como toda mudança, têm gerado as inseguranças, os medos, as desconfianças, mas como disse antes, o problema não é a curva, mas os viajantes.

   Há tempo para todas as coisas nessa nossa vida e pode chegar o dia em que você vai se deparar com uma curva e nesse momento não temos que ter medo de ir a diante, ainda que não consigamos ver o outro lado, pois é pela fé que vivemos e não por vista.



Joberson Lopes, Lindale Texas EUA 23 de agosto de 2013.


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Aquilo que não me mata, Engorda.



   
O filosofo, Friedrich Nietzsche disse: “Aquilo que não me mata, me fortalece”; Uma frase curta, mas muito profunda, pois traz uma grande verdade de ensino para aqueles, que como eu, gosta de pensar sobre a vida, sobre os acontecimentos inerentes a ela.

   Tenho aprendido sobre essa filosofia na pratica, através da vida integral em missões, pois tudo dentro da vida missionário (ou quase tudo) é vivido com muita intensidade, tanto a alegria como a dor, e temos muitas alegrias vivendo o chamado ministerial, mas isso não nos isenta de termos nossas muitas dores, nossos muitos choros.

   Alguns dias atrás, minha esposa me disse “Estou com muita saudade de casa, queria está em casa agora”. Parece uma frase simples para quem está tirando o tempo de férias em viagem, mas para quem simplesmente desfez a casa que tinha, para viver na “casa dos outros”, isso é de doer na alma, pois sabemos que não temos uma casa para voltar. Não que não podemos ter essa casa, mas escolhemos abrir mão de viver nesse conforto, chamado lar, para morar em comunidade missionaria.

   Mas como disse o filosofo, eu e muitos outros também já dissemos antes de conhecer esse filosofo, só que dizíamos de uma forma mais pobre e sem filosofia: “o que não mata, engorda”, e isso é o que tem acontecido conosco, estamos aprendendo a viver sem algo que desejamos muito e acreditamos que tudo isso tem um proposito divino para nossas vidas e para vidas de pessoas que iremos conhecer.

   Eu estou iniciando meus passos no mundo da fotografia e fiz uma foto de um arvore debaixo para cima, pegando o tronco, e fiquei olhando a foto e pude ver o quando aquela arvore é forte, e que pode sustentar muitos galhos nela, muitas folhas, pessoas podem subir nela, pessoas armam redes e colocam cordas apertadas nela, batem prego, encostam-se e a arvore está lá “paradona”,  como se nada estivesse acontecendo com ela, devido a casca grosso que ela adquiriu com o decorrer dos anos.

   Acredito que conosco, seres humanos, é da mesma forma, pois eu com uma recém-nascida dentro de casa, posso ver o quanto ela é frágil, o quanto a pele dela é lisinha, macia, parece que qualquer coisa pode quebra seus ossos, pois é muito novinha, como a “casquinha dela é frágil”.

   Se observarmos uma pessoa idosa, com saúde, você pode ver muita paz, muita tranquilidade diante das coisas da vida, força, sabedoria e notoriamente se vê que são atributos que essa pessoa ganhou ao adquirir mais idade, a ter vivido mais, a ter engordado mais e morrido menos, podemos ver o quanto essa pessoa é “casca grossa”.

   A saudade que temos de casa, a vontade de ter algo e não poder, o choro pela saudade da família, a insegurança da vida sem remuneração certa, entre outras coisas mais, fortalece a cada dia mais os que não desistem e continuam sua jornada, sabendo que as aflições do presente não são para se comparar com a gloria futura.

   Tendo isso em mente, podemos admitir para nós mesmo, que não estamos sendo atribulados, mas estamos sendo fortalecido, pois mais adiante, usaremos dessas experiências ruins, para segurar alguém em nossos galhos, para deixarmos alguém encostar-se em nós; podemos ter forca suficiente para que os fracos se pendure em nós, armem suas redes, batam seus pregos em nós,  pois esse é o ciclo da vida, uma dia você se pendura em uma arvore e outro dia você é a arvore que alguém irar se pendura.

   Prosseguimos sabendo “que o que não mata, engorda” ou “o que não me mata, me fortalece”.



Joberson Lopes, Lindale Texas, EUA 14 de agosto de 2013.