quinta-feira, 28 de março de 2013

O passarinho que ficou no Ninho


   A mãe passarinha teve vários filhotes e os criava dentro do ninho, dando comida e os aquecendo esperando-os crescerem. A mãe passarinha saia para buscar comida ou outras vezes saia para buscar mais ramos para ir colocando na sua casa (ninho) para proteger seus filhotes.

   Os filhotes cresceram e à medida que foram criando forças, foram aprendendo a voar e foram em busca de seus próprios desafios, uns mais pertos e outros mais longe, mas um desses filhotes resolveu ficar em seu ninho por uma causa que ele achava nobre: Gastar tempo com a família, um gesto nobre e valoroso, mas que como a dose foi exagerada acabou trazendo alguns problemas.

   Esse filhote que não quis sair de casa, às vezes precisava sair do ninho, mas como não era muito acostumado a isso, muitas vezes ficava perdido nos seus voos e tinha que ligar e buscar orientação da mãe passarinha para poder voltar para casa ou muitas vezes estava sem dinheiro e procurava pela mãe para poder compra o que precisava e voltava para o ninho, entendo que estando dentro do ninho estava valorizando a família.

   Os irmãos do passarinho que ficou no ninho, trabalhavam o dia todo, buscavam sua própria comida, uns conseguiram já montar seu próprio ninho e não dependiam em nada de sua mãe passarinha e poucas vezes voltavam no ninho da mãe para fazer alguma coisa, mas quando voltavam era uma festa de alegria quando a mãe passarinha reencontravam alguns de seus filhotes que estavam longe; mas o passarinho que ficou em casa, muitas vezes não se alegrava com a volta dos irmãos, pois dizia que faziam barulho de mais em suas conversas, que sujavam a casa, as louças e depois tudo isso iria sobrar para a mãe passarinho fazer.

   Os irmãos do passarinho que ficou no ninho, tinham a pele mais escura, tinham os pés calejados, não se machucavam com qualquer coisa, eram exímios voadores e excelentes caçadores de seus sustentos, já o passarinho que não quis sair de casa, não sabia levantar seu próprio sustento, vivia as custa da mãe o tempo todo, se precisasse comprar uma cueca, tinha que pedir para mãe; ele tinha a pela muito branquinha, as mãos lisinhas, era muito inteligente, mas não sabia como usar essa inteligência, pois dentro do ninho ele já tinha usado sua inteligência ate onde não o cabia.

   O passarinho que ficou em casa, se feria em seu próprio ninho, pois os ramos que eram feitos os ninhos, às vezes eram duros para dar sustentação ao ninho, e como a pele dele era fina por não sair muito de casa e não pegar sol, o fragilizou ao ponto de qualquer coisa o magoar, qualquer pontinha de galho o furava.

   O passarinho que ficou em casa tinha tanto amor pela mãe passarinha, que tinha em excesso, e que os estudiosos chamam esse excesso de ciúmes, e isso era uma coisa que esse passarinho tinha e muito, então esse passarinho com seu excesso de ciúme, acabava tendo brigas com seus irmãos, brigas com as amigas da passarinha mãe, brigava com deus e o mundo, apenas pelo egoísmo de ter a atenção da mãe passarinha, mas que na cabeça dele, era amor e apenas queria gastar tempo com a família.

   Os passarinhos irmãos que saíram de casa, amavam muito a mãe passarinha, mas entendiam que a vida tem um curso a seguir, que é de crescer e sair do ninho e cuidar da vida e que fazendo isso estará mostrando para sociedade dos passarinhence, que foi bem ensinado pela mãe a como viver a vida, como voar, a como se comportar fora do ninho.

   O passarinho que ficou em casa para gastar mais tempo com a família, acabou por excluir a própria família de seu convívio, mesmo estando dentro de casa o tempo todo, pois não suportava ver seus irmãos conseguirem viver a vida deles, da forma que eles queriam e isso o incomodava tanto, que esse passarinho resolveu sua vida se matando... De inveja, de ciúmes, de vaidade de ter a atenção da mãe 24h e teve seu sepultamento dentro de seu próprio ninho, com seus amigos virtuais do Facebook sendo os convidados do velório.

Joberson Lopes Lindale, EUA 28 de marco de 2013.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Isso não têm sentido!



         
           Muitas vezes que procuro fazer algo, ou comprar algo eu já me asseguro do porque estou fazendo aquilo ou comprando ou dizendo, pois tenho quase certeza que serei indagado por alguém o porquê eu estou fazendo isto ou aquilo, dizendo, ou comprando ou qualquer outra coisa.

             Nós seres humanos temos a necessidade de dar sentido às coisas, pois parece que o que não faz sentido, não tem sentido ser feito, não tem sentido ter ou dizer;

            As crianças são eternas questionadoras do porque das coisas. Você já parou para responder uma criança o porquê das coisas? Ela não desiste, fica te questionando o porquê disso ou o porquê daquilo e ainda questiona sua resposta e eu acredito que essa falta de fé, ou seja, lá que nome dermos, de queremos dar sentido as coisas, nós leva a incredulidades e a questionar Deus.

            No livro de Isaías  no capitulo 45, Deus está falando algumas coisas e uma delas é sobre o barro perguntar ao oleiro o porquê está sendo feito como um vaso?

              Muitas vezes eu me pego questionando a Deus o porquê disso, o porquê daquilo, por que isso acontece dessa forma, por que nascem pessoas deficientes, por que pessoas morrem tão jovens, porque existem doenças sem cura, por que tem catástrofes naturais, entre outras coisas mais e isso que faço nada mais é do que o barro perguntando ao oleiro por que ele está fazendo isso ou aquilo com o barro?

            Essa necessidade de dar sentido às coisas nós causa incredulidade, nos leva a duvidar da sabedoria de Deus, nos leva a pensar que sabemos mais que o próprio Deus e isso nos afasta do Deus criador de todas as coisas.

             A minha carência de dar sentido às coisas e explicações aos outros é tamanha que me faz ser um idiota, pois se você imaginar por alguns instantes, que estivesse fazendo uma pintura de um quadro e no meio dessa pintura você ouvisse o pincel te perguntar: Por que está me usando dessa maneira? Ou ouve a tinta dizer: Essa cor não cai bem para esse lago, por que não usa outra cor?

            Parece loucura pensar nisso, mas é isso que fazemos quando questionamos Deus por que ele deixou que muitos morressem no holocausto?  Por que ele não fez os terremotos pararem quando atingiu o Haiti? Por que ele não viu aquela criança nascendo com câncer e não a curou? Por que ele não agiu quando aquele avião foi jogado naquelas torres gêmeas nos EUA?

        Somos tidos como loucos diante de Deus, achando que somos sábios, pois é a criatura perguntando ao Criador ou pra ser mais claro, é a tinta perguntando ao Pintor o porquê está sendo usada naquele lugar e daquela forma.

            Dar sentido as coisa, provar para as pessoas o porquê estamos comprando isso, ou o porquê estamos levando a vida dessa forma, nós leva a questionar o próprio Deus, criador de tudo e soberano em suas decisões e vontades; muitas coisas que fazemos realmente não tem sentido algum para outras pessoas, mas nem por isso temos que deixar de fazer ou não tem sentido, pois cada um sabe o que é melhor para si.

            Deixemos de lado um pouco esse impulso de dar sentido às cosias e talvez assim tenhamos mais prazer em viver a vida que Deus nos tem dado, mais prazer em viver onde Ele tem nos colocado, sem tantas ansiedades e tantos questionamentos.

Joberson Lopes Lindale, Texas, 13 de março de 2013.