quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Mágica ou Milagre?




Mágica ou Milagre?
  

Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças”.

Essa frase do livro de Filipenses tem alguns ensinos muito especiais para mim, pois fala muito de coisas da minha vida: Ansiedades e pedidos; sempre tenho algum pedido em mente e com isso me gera uma ansiedade enorme.
Paulo nos ensina que não devemos andar ansiosos por nada, por coisa alguma, mas o que mais faço é andar ansioso, é está sempre à espera de algo que nem mesmo sei o que é.
Outra questão, e é onde quero me ater nessa reflexão, é a parte de que “os nossos pedidos” sejam conhecidos por Deus.
Quando eu estou com vontade de ter algo ou comprar algo, logo vou conversar com minha esposa, para saber a opinião dela, e analisarmos nossas possibilidades de adquirir isso ou aquilo. Antes de casar, quando tinha esses desejos ou vontades de comprar algo, eu buscava minha mãe para me aconselhar, para me da o que eu queria ou me ajudar a comprar. Sempre busco alguém para compartilhar.
Quando sonhamos com algo, buscamos logo alguém para compartilhar esse desejo, esse sonho e ficamos alegres quando ouvimos algo positivo dessa pessoa a qual compartilhamos.
Paulo nos ensina a fazer esse mesmo compartilhar com Deus, mas Paulo não está falando apenas do impossível ou de uma cura de uma doença incurável ou algo do tipo, Ele nos ensina que “em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus” e não apenas o que achamos impossível.
Por que não consigo compartilhar com Deus o meu desejo de comer uma boa galinha caipira ou o desejo de comprar um par de sandálias novas? Será que fomos treinados a buscar em Deus apenas o impossível aos homens? Será que Deus é tão impessoal que eu não posso compartilhar um sonho infantil com Ele?
Eu acredito que fui treinado pela religião a acreditar no Deus do impossível e o que for possível eu mesmo vou atrás, pois Deus é ocupado demais para pequenas demandas.
Isso pode parecer confiar em Deus, mas não creio que isso seja confiar no Pai, como Abba, o Papai do céu, pois por mínimo que seja a demanda de uma criança, ela busca logo o pai para resolver, ela não para pra pensar se o seu pai pode ou não resolver aquele problema, ela simplesmente compartilha, fala o que quer, por mais simplório que seja e confia que será feito ou terá alguma resposta.
Quando Jesus Cristo ensina que devemos ser como crianças, realmente temos que acreditar, pois temos muito que aprender com a forma de viver de uma criança.
A religião me fez acreditar em um Deus que faz magicas e não milagres. Magica acontece do nada. Uma pomba sai do meio de lenços ou alguém balança uma varinha e tudo se transforma. É nisso que muitas pessoas acreditam ser milagres, mesmo que não admitindo que pense dessa forma, mas que se fosse assim seria bem mais fácil, pois afinal, Deus é o Deus de milagres.
Milagre acontece quando confiamos, quando compartilhamos. A multiplicação de pães aconteceu dos pães que já existiam e do compartilhar dos mesmos, não surgiu pães do nada como em magica, não foi transformado pedra em pães. Se eu não acreditar que posso compartilhar com Deus, algo simples, como posso ver os milagres das coisas complicadas?
Viver esse versículo, com o legado religioso que nos deixaram, tornam as coisas bem mais difíceis, pois é melhor à magica a acreditar em algo que eu não vejo ou a me esforçar, pois me esforçando não estarei dando espaço para Deus agir, assim é o discurso da religião.
Fiz uma viagem missionaria á África alguns meses atrás, e para mim foi um enorme milagre, foi o impossível dos homens acontecendo por intermédio de Deus, mas não ouve magica, pois não apareceu dinheiro na minha conta do nada sem eu divulgar o projeto ou as passagens não vieram a minha mão sem eu entrar nos site da empresa e compra as passagens e nem fui “tele-trasportado” para aquele continente.
Milagres acontecem quando acreditamos que ele pode acontecer e a nossa forma de demonstrar que acreditamos em milagres é agindo no que nos cabe, no que está ao nosso alcance. Se você tem um pedido, vá a Deus em oração, fé e ação (agir) de graças que Deus vai fazer o que for impossível a você.


Joberson Lopes, 14 de dezembro de 2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O Amor Punitivo de Deus



O Amor Punitivo de Deus

Certa vez eu estava fazendo um treinamento na missão com uma equipe no meio da mata, e o nosso desafio era seguir uma trilha, guiados por um mapa e uns sinais em forma de seta, que estavam fixados em algumas arvores, e tínhamos que chegar ao acampamento ou uma equipe iria nos buscar e seria uma vergonha total se isso acontecesse, caso ficássemos perdidos.
Quase no final da trilha, nos perdemos e ficamos rodando em círculos ate quase escurecer, e já estávamos começando a entrar em desespero e foi quando o Espirito Sando falou ao meu coração para orar e pedir a direção a Deus; E naquele momento, falei com a equipe e foi isso que fizemos. Oramos e quando terminamos de orar, quase que no mesmo instante eu olhei para o sinal em forma de seta, deixada como marca na trilha, e vi que ela estava virada para o lado contrario ao que tínhamos que ir, e isso nos fez andar em circulo por um longo período, e quando percebi isso, voltamos ao lugar certo e logo chegamos ao acampamento, Graças a Deus.
Ontem no culto na hora do louvor estávamos cantando uma musica que dizia: “Meu Jesus, me leva onde eu posso ouvir a tua voz”... E nesse momento Deus me fez lembrar essa estória acima e me fez refletir que naquele momento que estávamos perdidos, em desespero, sem solução aparente para nosso problema, foi o momento onde “fomos levados” a presença de Deus para ouvir a sua voz.
O Apostolo Paulo em sua carta a igreja de corinto pede a Deus que tire dele um espinho que tanto o afligia, que devia lhe causar vergonha, dor, o mesmo incomodar, talvez lhe tirasse o sono ou sei lá o que era; Nós somos como Paulo, um homem pecador, cheio de problemas, cheio de impulsos errados, compulsões e vontades erradas, atitudes erradas e como Paulo, também oramos a Deus pedindo que nos livre desse incomodo.
Lembro-me o quanto orei, quando era solteiro, para Deus me livrar das compulsões exageradas sexuais que tanto me machucava, dentro da minha vida religiosa e nada aconteceu, parece que as orações não passavam do teto e eram as orações que eu, mas me esforça, mais gastava meu tempo ajoelhado orando, pois tinha o desejo muito grande de não errar mais com Deus.
Será que a vontade de Deus era que eu errasse mesmo? Pois, eu fui muito sincero com Ele, mas ele não respondeu como eu queria.
Muitas vezes nós não compreendemos a dimensão da vontade de Deus em nossas vidas, e não compreendemos o quando Deus quer está nos ouvindo, o quanto Ele quer está próximos de nós, papeando, sorrindo conosco, passeando no nosso jardim, sentando na cadeira de balanço nos aconselhando, nos balançando na rede, acariciando nosso rosto em quanto estamos orando...
Para mim, e acho que para muitos, quando vamos orar fervorosamente é o momento que queremos sair da nossa dificuldade, sair do desemprego, esse momento em muitas mentes, é a hora de Deus ser Deus e usar seu poder fabuloso e nos tirar toda dor, todo medo, é a hora de Deus Agir!
É impressionante que nossa hora nunca está certa com a de Deus, Ele nunca está desesperado como nós, Ele parece que não se importa com nosso medo, nosso desespero, Deus deve está de brincadeira... Alguns de nós pensamos!
Somos tão pequenos e insignificantes perante Deus, que não conseguimos compreender que Deus faz muitas formas para se aproximar de nós, cria dezenas de oportunidades para louvarmos a Ele nos dando um bom emprego, nos fazendo passar em um concurso publico, nos dando um bom casamento, nos dando filhos maravilhosos, nos dando casas e apartamentos lindos e enormes, nos dando oportunidades de viagens inesperadas, nos fazendo conhecer pessoas incríveis, nos fazendo ganhar nobéis de paz, de coragem, de ciência, de tecnologia, Deus nós das inúmeras oportunidades de louva-lo e de conversar com Ele, mas nós não conseguimos reconhecer isso e pensamos que somos nós agindo em nós.
Acredito que é nessa hora que Deus permite que ficassem perdidos no meio da mata, permite que a doença chegue, permite que o carro seja roubado, permita que o casamento seja desfeito, permite que o lar se desmorone, pois é nesse exato momento que nos lembramos dEle, é nessa hora que lembramos que existe um Criador, um todo poderoso que pode mudar a situação, é nesse instante que clamamos: “DEUSSSSS onde tu estás?”
Não quero criar aqui um Deus carrasco que nos castiga porque não o buscamos, porque não o agradecemos, sei que o que Deus quer é bem mais incompreensível pela razão humana, é bem mais alto do que os nossos pensamentos capitalistas, esse Deus que diz para o Apostolo Paulo: Minha graça te BASTA, o meu Poder se aperfeiçoa na sua fraqueza, é bem mais incompreensível que a minha mera razão, os meus meros argumentos teológicos, filosóficos ou qualquer outra ciência que possamos pensar.
Para nós que somos materialistas e damos valor demais ao diploma que temos, ou a mansão que construímos, ou ao texto que escrevemos, ou a pregação que fizemos é quase que incompreensível um Deus que quer se relacionar com o ser humano através do sofrimento, através da morte, através da perda...
Se formos racionais e nos colocar no lugar de Deus por um momento, veremos que Ele já tentou de varias formas se relacionar conosco, inclusive mandando seu filho ao mundo, ou mesmo nos dando bens matérias, que ate nem precisávamos e mesmo assim não conseguimos entender essa vontade exagerada de Deus de se relacionar com o homem, então deve ser por isso que Ele “achou” uma nova forma de encontrar-se conosco e que funcionou perfeitamente, através da derrota!



Joberson Lopes, 10 de outubro de 2011.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Intoleráveis seja os intolerantes



Intoleráveis seja os intolerantes

Alguns meses atrás assistir na TV que alguns jovens, atacaram rapazes que andavam conversando na avenida paulista, com lampas florescentes porque os caras aparentavam ser homossexuais.
Eu estava lendo a revista da Missão Portas Abertas e vi em grande parte da revista, relato sobre a intolerância dos mulçumanos com as pessoas que deixam o islamismo e passam a ser cristão. Esses ex-mulçumanos tem suas caixas de e-mail vigiado, seus telefones são grampeados, são proibidos de frequentar alguns lugares e muitos são mortos pelos intolerantes.
Essa semana eu vi outra reportagem de um vigilante de banco, que por motivos fúteis, atirou em um cliente do banco que estava desarmado e ainda pelas costas levando o homem a morte; Mais um ato de intolerância.
Nos Estados Unidos esse pastor, ai da foto acima, segura essa placa dizendo que Deus odeia bichas (gays).
Intolerância é uma palavra contraria a Tolerância, que significa tolerar algo, respeitar a opinião contraria a nossa.
Dentro de uma visão religiosa, essa palavra tem sido muito usada em ação pelos pastores, membros de igrejas de uma forma absurda e contraria ao ensino de Jesus Cristo, querendo impor suas opiniões em questões que não são decisivas para a vida no Reino de Deus.
No livro de Marcos no capitulo 9 e versículo 38 é narrada uma historia onde Joao diz para Jesus que tinha visto uma pessoa que estava expulsando demônios em nome de Jesus mas não era seguidor de Jesus, e Joao entendeu que ele não poderia fazer aquilo e o proibiu de expulsar demônios em nome de Jesus. Lendo o texto, da uma impressão que Joao veio a Jesus falar esse fato, com um ar de “Fiz a coisa certa”.
 Mas a resposta que vemos de Jesus a Joao no versículo seguinte é: “Não o proibais”... Jesus nunca pregou a intolerância em nenhuma esfera, pois essa forma de vida é contraria ao que Ele pregava e vivia.
Fico pensando como nós (e me incluo fora dessa) somos tão intolerantes com tantas coisas na vida e muitas vezes nem percebemos que estamos sendo intolerantes; Muitas vezes somos tão cheios de justiça própria, que esquecemos que a nossa justiça é considerada por Jesus Cristo, como um trapo de imundícia, que a nossa maneira de pensar e enxergar as coisas não é o padrão para toda a humanidade; Um bom exemplo disso em minha vida foi ter ido à África e ver homens andando de mãos dadas na rua e rindo numa maior naturalidade do mundo, sem preconceito, sem se preocupar com o que os outros estariam pensando, mas eu estava lá olhando aquilo e escandalizado, pois na minha visão brasileira de ser, esse não é um gesto muito masculino.
Naquela cultura homens andam de mãos dadas com os seus amigos, é um gesto de amor e respeito ao amigo, mas eu como um bom intolerante, não quis andar de mãos dadas com ninguém. rs
 Uma coisa que percebo nos intolerantes é que geralmente são pessoas que tem um enorme potencial, não aceitam qualquer coisa, questionam sempre, são pensadores, buscam respostas para muitas questões, mas erram na falta da tolerância com as pessoas, erram no excesso de justiça próprio.
Devemos buscar na vida um equilíbrio constante em nossas atitudes e em nossos julgamentos, pois não somos o dono da razão, não somos exclusivos para Deus e nem nossa cultura é a melhor do mundo.
Que Deus nos ensine a tolerar os diferentes e que Ele mesmo os Julgue.


Joberson Lopes, 04 de outubro de 2011.



sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A linguagem de missões que prejudica o Reino



A linguagem de missões que prejudica o Reino


É a apoteose da conferência missionária. O público é internacional. Delegados de todos os continentes da Terra estão presentes, adorando a Deus a plenos pulmões. Estou sentada ao lado de um casal africano bem vestido, com turbantes e bijuterias artesanais.
 Estamos unidos e temos uma emoção de reino, de estarmos cumprindo o plano de Deus para a humanidade. As culturas diferentes são uma bênção para o reino, não um tropeço. Os povos do mundo se completam na sua diversidade. Estamos diante do trono.

          O louvor termina e nos sentamos. Começa um filme para a promoção de um ministério de misericórdia na África. Em alta definição desfilam crianças com costelas expostas, mães com seios vazios, miséria, fome, doenças, falta de esperança, vergonha. Abaixo minha cabeça.
 Não consigo mais olhar nos olhos dos africanos ao meu lado. A sensação de igualdade do reino se foi. Tudo o que sobra são os ricos e os pobres, os escolhidos e os não-escolhidos, os que podem dar e os que só recebem de cabeça baixa.

Na hora da oração pergunto ao casal:
-- Como vocês se sentem depois disto?

A mulher me responde:
-- Infelizmente, para sobreviver, me acostumei...

           Alguns anos já se passaram. Muitas missões já mudaram seu paradigma de “países receptores e países enviadores” para “todos em todo lugar”. Porém não fizemos ainda muito progresso quanto a nossa linguagem. As tribos ainda são “primitivas”, a África é uma ferida sangrenta, muçulmanos são mouros terroristas e a China é o gigante desajeitado que inspira desconfiança.

          Mesmo que alguns possam argumentar que os estereótipos tenham algo de verdade, quando cremos no reino concordamos com a “imago Dei”. A imagem de Deus nas pessoas e nos povos tem que ser o pressuposto que usamos para vê-los. E deve ser mais forte do que as concepções terrenas.
Quando preconceitos nos guiam, esperamos o pior, duvidamos, superprotegemos. Se entendermos o valor e a capacidade conferida pela “imago Dei”, seremos levados a outro nível de relacionamento. Esperar o sonho de Deus ser expresso nas pessoas e nos povos nos conduz ao respeito, à mutualidade, a parcerias verdadeiras, ao reino.

            Lembro-me de um pastor amigo me dizendo que a maior parte das cartas missionárias que recebia poderia ser intitulada “Meu sofrimento”. Para fazer minha luz brilhar mais forte, pinto as trevas ao meu redor mais densas. “Admire quão santo sou à luz de quão terrível este povo é”. Esse é um hábito comum desde o missionário que descreve a comida horrível e exótica que comeu entre os selvagens até o pastor que enfatiza o testemunho de pecado das ovelhas antes de se juntarem à sua maravilhosa igreja.

            Jesus não era assim. Ele encontrava beleza, fé e generosidade onde aparentemente não havia nenhuma. Ele louvou os fariseus na frente dos judeus que os desprezavam, honrou mulheres diante de homens que não lhes davam valor, contou a história do publicano que alcançou perdão em contraposição ao religioso que não o obteve, se gabou da fé do centurião, o epítome do anti-Deus para o judeu de sua época.

           O povo-alvo para Jesus era honrado, cheio de fé, corajoso e honesto. Jesus trabalhou para gerar entre as pessoas respeito e apreciação mútua.

            Como mudar o hábito de usar essa linguagem missionária baseada em preconceitos e que não promove o reino? A regra continua sendo a mesma proposta por Jesus: “O que você não quer que seja feito a você, não faça aos outros”. Se você não quer que seu país seja referência de malandragem, promiscuidade sexual e corrupção política, então não estereotipe o país, a cultura, o comportamento moral e a economia de seu próximo (Fp 4.8).

• Bráulia Ribeiro trabalhou na Amazônia durante trinta anos. Hoje mora em Kailua-Kona, no Havaí, com sua família e está envolvida em projetos internacionais de desenvolvimento na Ásia. É autora deChamado Radical.
braulia_ribeiro@yahoo.com

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Perdendo ou ganhando?





Eu assisti a um filme muito bom, que me fez refletir nas escolhas que fazemos e de como essas escolhas podem influenciar para sempre nas nossas vidas e na vida de muitas outras pessoas que estejam ou estarão próximos de nós.
 Tomar uma decisão, geralmente será muito complicado e difícil para quem normalmente reflete nos passos que toma na vida.
O viver de hoje nos faz está constantemente frente a decisões, pois são tantas demandas nesse mundo capitalista que vivemos e que por ser muito capitalista nos leva sempre a refletir bastante antes das tomadas de decisões, pois qualquer escolha errada pode custar uma vida de sucesso, pode nos levar a uma fila de emprego, pode nos fazer morar em uma favela, pode nos tirar a vontade de viver...
Como é difícil caminhar sem ter um “mapa” da vida para nos guiar qual caminho certo, qual escola colocar os filhos, qual curso superior cursar, qual profissão seguir, qual igreja ir, qual mulher ou homem certo para casar, qual método de educação usar na criação dos filhos?
Acredito que somos frutos de nossas escolhas, pois Deus, ao criar o mundo, deu de presente ao ser humano a livre escolha, o livre arbítrio de seguir o que quiser, andar por onde quiser, comer o que quiser, casar com quem quiser, viver sozinho ou acompanhado, viver ou morrer...
Tudo está em nossas mãos, tudo que possamos ser está nas nossas mentes; Os cemitérios estão lotados de Picassos que não quiseram  pintar, Robertos Carlos que não quiseram cantar, filósofos que não quiseram filosofar, professores que não quiseram ensinar, muitas pessoa que não quiseram escolher o sucesso.
Fazer escolhas é como fechar os olhos e andar, sem ter certeza que o próximo passo vai se firmar em algo.
 Fazer escolhas é andar em fé acreditando que algo vai acontecer, de bom ou de ruim.
Nossas escolhas irão determinar muito do que seremos e de como viveremos.
 Nesse filme que assisti o ator teve que tomar uma decisão muito complicada, e no caso dele foi De-Cisão mesmo, pois ele teve que decepar parte do próprio braço para poder sobreviver e sair da situação difícil ao qual se encontrava, ele teve que perder, para poder ganhar a sua vida.
Quantos de nós muitas vezes temos que cortar algo que vai doer para poder dar continuidade da vida? Quantos iram ter que abdicar de coisas importantes que chega a parece essencial à vida, como um braço?
Admitir a derrota é uma atitude muito difícil, mas muitas vezes temos que admitir que perdemos para dar novos rumos a nossa vida; Admitimos que perdemos para ver o nascimento do novo.
 No filme, um dos motivos que levou o personagem a cortar o braço, foi a esperança de ter um filho, uma família e ter uma nova etapa de sua vida.
 Consegui ver muita coragem na vida desse personagem em reagir a sua situação, e uma reação que o levou a derrota, a perda, mas que concomitantemente o levou a vida, a família, a novos rumos.
Acredito que esse dom que Deus nos deu, de escolha, é um dos melhores presentes que um pai poderia ter dado; Uns escolhem continuar sofrendo, se sentindo coitado, continuar batendo na mesma tecla, nadar, nadar e morrer na praia, isso também faz parte do livre arbítrio.
 Mas outras escolhem a liberdade de mesmo sentindo dor, chorando, gritando, lutando, buscar uma mudança, iniciar um novo capítulo, mesmo que envergonhado com a dor da perda, frustrado em suas expectativas, humilhado, mas com o entendimento que são as escolhas que nos levam a onde estamos.
O nome do filme que assisti chama 127 horas, mas que poderias se chamar, pelo aprendizado que ele expressa: Minha vida, minhas escolhas.


Joberson Lopes,             25 de agosto de 2011.



domingo, 21 de agosto de 2011

Uma Proposta diferente para pessoas diferentes!!!


    Acho massa ver a igreja do Senhor está presente onde as pessoas "normais" não iriam nunca, muito menos a "igreja" estaria nesses tipos de ambientes.
    Para ser Igreja de Jesus não precisa ter aparecia que a sociedade aprova, pois as aparências enganam e muito!!








A Igreja dos meus Sonhos

   


    Quando me converti, inicie uma caminhada de aproximação com Deus e de leitura da palavra dele e um dia me deparei com um texto em Atos dos Apostolos, relatando o inicio da igreja, a chamada Igreja Primitiva e esse texto me deixou muito empolgado em ser Cristão, em fazer parte do corpo de Cristo, como Paulo diz que somos.

    Mas com o passar dos anos indo a igreja e caindo na rotina de ser crente, pude perceber que não parecíamos muito com a igreja primitiva, a nao ser na hora do culto quando iniciava as orações e os irmãos falavam em linguas estranhas e o povo não entendia nada.

    A historia da igreja primitiva é muito inspiradora para um crente novo convertido, mas a caminhada na igreja cristã contemporânea é muito desestimulador em se tratando de pratica do Cristianismo, pois mesmo sabendo que os povos na igreja primitiva tinha uma expectativa errada sobre o tempo da vinda de Cristo, nos empolga a forma como eles repartiam o pão de casa em casa entre os irmãos; É fascinante saber que existiu um povo em um tempo na historia, e em grande quantidade de pessoas, que tinham a generosidade de não deixar seu irmão de fé, seu próximo passando necessidade.

    É interessante ter conhecimento de toda uma igreja com essa forma de agir e não apenas de pregar.

    Não acredito que a motivação deles eram só por que estava esperando a volta de Cristo e não queriam ter mais a propriedade e bens e por isso ajudavam o próximo; Existia vida pratica na pregação dessa primeira igreja, dessa primeira comunidade de cristão e então por isso praticavam a bondade em massa.

    Hoje é conveniente teologizar que a igreja primitiva apenas repartia o que tinha com os que necessitavam, porque tinham a expectativa errada do tempo da vinda de Cristo, isso é um grande argumento para mantermos os nossos bens e conforto bem guardado, essa linha teológica é aceita pela a maioria dos crentes, pois é uma "válvula de escape" para o não cumprimento de nossas obrigações como seguidor de Jesus Cristo.

    Quando eu vi na TV falando sobre a fuga do povo na Somália para se refugiar no Kenya devido as brigas no seu país entre etnias, a falta de alimento, falta de aguá e vendo o povo chegar no campo de refugiado faminto, muitos morrendo desidratado, fico sonhando como a igreja poderia está fazendo a diferença nesses lugares, como a igreja poderia está fazendo parte das missões humanitarias para países como esse ou mesmo quando vejo a quantidade de jovens morrendo na cracolândia em São Paulo viciados em drogas eu sonho olhando para a igreja, pensando em como poderíamos ter vários centros de tratamento de dependentes químicos e não os temos e os que temos, nunca se quer vamos visitar.

        Como eu sonho em ver um dia as construções das igrejas, nao passarem a semana toda fechada sem ter utilidade alguma para a comunidade, mas que fossem um lugar onde poderíamos está desenvolvendo atividades para melhorar a situação da populacao carente, fazendo cursos de capacitaçao profissionalizantes, tendo escolas gratuitas, tendo creches para as mães poderem trabalhar; Um lugar onde o necessitado se sentisse bem acolhido, um lugar onde ele pudesse sentir que não seria desprezado pela sua aparência rota ou pela falta de estudo ou higiene pessoal.

    Como sonho com uma igreja com enormes terrenos, construindo apartamentos e emprestando para os irmãos morarem sem cobrar aluguel até o dia que esses irmãos pudessem juntar o dinheiro da entrada da sua casa própria e não apenas usar os enormes terrenos para terem seus lindos gramados e fachadas admirantes para alimentar os egos pastorais.

     Como eu sonho em ver a igreja ter prazer em fazer o bem ao necessitado sem fazer apologia ao Cristianismo, sem fazer proselitismo a sua denominação. Como a igreja poderia ser mais respeitada e  impactante pelo que pratica e não apenas ser conhecida pelos seus decretos de proibição a todos os atos que lembrem qualquer forma de prazer a vida.

    Como eu sonho em ver a igreja recebendo os pecadores sem os reconhecerem pelo nome de seu pecado, apenas reconhecendo-os e chamando ao arrependimento indistintamente, sem envergonhar ninguém para servir de exemplo a outro.

    Como eu sonho em ver uma igreja sem a legalidade humana com desculpa de santidade...

    Como eu sonho...

    É triste admitir que a igreja dos meus sonhos não se tornará realidade em 99% do mundo na sua forma pratica de servir a Jesus Cristo.



Joberson Lopes, sonhador      21 de agosto de 2011.

sábado, 6 de agosto de 2011

O Desafio de Amar



Neste tempo que estou em missão integral, trabalhamos quase sempre no ministério de misericórdia, isto é, procuramos conhecer as necessidades do nosso próximo, entender as suas dificuldades e saber como podemos ser úteis; E isto me faz lembrar os rostos das pessoas que ajudamos, mesmo que a ajuda não venha de nós, mas por nosso intermédio, quando vamos dar alguma coisa para elas, seus semblantes expressão esperança, seus olhares expressão profunda gratidão, seus gestos querem dizer “posso fazer tudo que você quiser”.
Quando Jesus diz “Melhor coisa é dar do receber”, nós não temos noção do poder dessa palavra em quanto não passamos a viver ela em atitudes. Ouvir ou ler não tem o mesmo efeito de viver, pois é tão difícil expressar em palavras a expressão, por exemplo, de uma família Africana que nós ajudamos com umas compras de 30 reais, e que ficaram tão gratos, que choravam compulsivamente e os seus olhos brilhavam, seus gestos eram de gratidão eterna.
Algumas vezes eu ouço pessoas dizendo que não temos que fazer assistencialismo, pois isso deixa as pessoas mal acostumadas, e não querem trabalhar só querem ficar recebendo ajuda, etc. Mas eu não creio que isso seja uma regra geral para todas as famílias, pois conheço varias pessoas que ajudamos, que se elas pudessem, não estariam recebendo nada de ninguém, mas as suas escolhas ou a falta delas, as deixaram em situações não tão confortáveis para não aceitar ajuda.
Em quanto eu não chego a uma alta posição financeira (não que eu pretenda) para que possa dar emprego, treinamento profissional as pessoas, ou mesmo conseguir emprestar dinheiro para que elas abram seus próprios negócios, penso que não é de todo mal ajudar sendo assistencialista, pois é gratificante olhar para quem realmente precisa e vê-los aproveitando ao máximo daquilo que você está dando, vê-los alegre com algo, que muitas vezes está ate jogado em um canto da minha casa sem utilidade, e na vida deles, faz toda a diferença.
Ser generoso é um dom que devemos desenvolver a cada dia em nossa vida, pois acredito que não somos treinados a ser assim, eu pelo menos não era assim antes, mas acredito que não conseguirei mais voltar a ser como antes, depois que vi os olhares de moradores de rua recebendo sopa, atenção, agasalho, sapatos, vendo o respeito que pessoas têm por mim, por receber aquilo que eu nem usava mais, ou mesmo poder olhar para o céu e ter um sentimento de dever cumprindo perante Deus.
Eu não faço nada hoje em minha vida, para ser aprovado por Deus, mas me sinto constrangido com o amor de Deus por mim, e isso me motiva a ser generoso com as pessoas, com meu próximo. Generosidade é para com todos que podemos, principalmente para com os de casa, os amigos, os irmãos e os inimigos.
Amar a Deus sobre todas as coisas, penso que está intimamente ligado a amar ao próximo em atitudes, ações praticas, mesmo que isso venha me causar prejuízos, danos, me tomar tempo, mas expressar esse “amar a Deus sobre todas as coisas” é renunciar alguns direitos para alguém.
Ame a Deus sobre todas as coisas, expressando ao seu vizinho esse amor que você tem por Deus, esse respeito a sua palavra em atitude pratica.
Faça um exercício pratico hoje mesmo: vá à casa de seu vizinho e pergunte a ele como você pode ser útil, se ofereça para cuidar de seus filhos enquanto eles vão ao cinema, ofereça-se para limpar sua casa, cortar sua grama, faça um bolo e leve para ele lanchar, sabemos que esse vizinho pode não entender nada desses gestos que você vai fazer, mas faça e se ele lhe perguntar por que disso, diga que você ama a Deus acima de todas as coisas­, e por isso está fazendo algo por quem Deus ama.
E lembre-se ofertar é muito fácil, o desafio mesmo é se ENVOLVER!



Joberson Lopes,    Samambaia 05 de agosto de 11.


sábado, 30 de julho de 2011

Viagem à Tanzânia- Ultima parte- Paternidade



Viagem à Tanzânia- Ultima parte- Paternidade

    Muitas pessoas estão me perguntando como foi à viagem e tenho notado que o que eu tenho relatado, nem sempre esta “agradando” as pessoas ou digamos não esta suprindo as expectativas delas em relação ao que se veem na mídia.

    Deus me levou para um proposito dentro do chamado que Ele tem pra minha vida que é cuidar dos órfãos e das viúvas e isso não é algo que chame tanto a atenção das pessoas, pois falar de viúvas e de crianças sem pai não é nada tão grande, pois em todo país existe, inclusive no Brasil.

    A Tanzânia não e um país que muitas vezes esta na TV porque lá não é um lugar tão “derrotado” como a Somália, a Etiópia e outros países que estão em guerra, que tem muita violência ou extremismo por parte dos religiosos, mas a Tanzânia quando esta na mídia, geralmente é devido aos Animais selvagens que vivem nos parques ou devido a sua vegetação savana ou mesmo sobre o monte mais alto da África, o Kilimanjaro aonde vai muito turista. Tem também uma ilha muito divulgada pela mídia chamada Zanzibar, com seu mar azul turquês que deve ser muito lindo.

    Enfim, eu não trouxe muitas historias “interessantes” como ver criança na rua morrendo de fome e um urubu ao lado esperando ela morrer para então ele sobreviver ou historias e fotos de leões, tigres, girafas entre outros, mas o que eu fui conhecer e entender naquela região de Morogoro na Tanzânia foi viver a religião que Tiago, o irmão de Jesus nos ensinou através da bíblia em sua carta: “A VERDADEIRA RELIGIÃO É CUIDAR DOS ÓRFÃOS E DAS VIÚVAS”.

    Nessa região onde estivemos não tem muitas crianças jogadas na rua sozinha, o que me deu um “choque”, pois eu como a maioria, pensava que ia encontrar aquele cenário de guerra, de pessoas morrendo de fome nas ruas, entre outras coisas, mas graças a Deus, nesse país não encontrei esse quadro.

    Quando eu e minha esposa estávamos no culto de envio para o campo missionário, meu pastor nos deu uma palavra bem específica, onde pudemos ver essa palavra ser real nesse nosso tempo na Tanzânia; Ele disse que nós seriamos o pão para essas pessoas que iriamos encontrar, mas ate mesmo o pastor ficou um pouco intrigado com essa palavra, pois o que todos nós conhecemos é que Jesus Cristo é o Pão, mas mesmo assim o pastor orou por nós como sendo o pão e fomos enviados aquele país.

    Quando estávamos lá eu pude notar uma coisa interessante; Muitas pessoas tem fome sim, pois conhecemos famílias que tem apenas uma refeição por dia, e isso não é dado para impressionar ninguém, e fato verídico; e outra coisa que me deixou reflexivo sobre essa viagem, foi ver a quantidade de viúvas que tem naquela região e agora faz sentindo essa palavra de ser o pão para aquelas pessoas, mas não apenas o pão como alimento, mas entendo que seremos representantes Paternais de Deus naquela terra, pois é enorme a quantidade de viúvas que já viveram sem seus Pais e muitas crianças que também não tem Pai.

    Paternidade para mim sempre foi um grande desafio, pois fui criado sem pai presente, então tenho alguns déficits paterno, que foi suprido apenas depois de adulto quando comecei a olhar para Deus como meu Pai, quando entendi que Deus foi o Pai presente em minha vida quando eu era criança.

    Quando voltei da viagem eu parei em São Paulo para visitar meu pai biológico e tive um tempo muito bom lá; Fiquei observando o quando eu sou parecido com meu pai, como nós temos tanto em comum, tanto na aparência física quando na forma de ser, as brincadeiras, as malicias, os nervosismos, ate profissionalmente eu sou como ele, Mecânico.

    Fazendo essas observações me fez lembrar a bíblia quando no inicio Deus fala: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança”. E então eu pude refletir que somos a imagem e semelhança de Deus e dentro dessa semelhança temos nossas carências afetivas paternas que em muitas pessoas não foram supridas e ate hoje tem uma lacuna em suas vidas, pois não é tarefa fácil identificar esse déficit sozinho, sem um tempo de reflexão com Deus.

    Eu quero poder entrar na África novamente com essa visão de ser para muitas pessoas, o pai que elas não tiveram, ser o pai provedor do pão que elas precisam e ensinar a elas que elas são tão amadas do Pai do céu que Ele mandou o que Ele tinha de melhor no Céu para elas, que foi seu Filho, Jesus Cristo.

    Paternidade tem deixado muitas pessoas confusas, sem saber quem são no reino de Deus, sem ter identidades próprias em Deus e por isso às levam ao desespero, pois não tem Deus como um referencial de Pai, mas apenas como um Supremo Criador inacessível e distante na sua majestosa distancia de nós mortais e pecadores, pois é assim que se é apresentado Deus para as pessoas.

    Deus realmente é tudo isso que falam, como supremo criador, Como Rei dos reis, Senhor dos senhores, Dono do mundo mas estão esquecendo de falar que Ele é Abba, que Ele é Papai, que nós somos parecidos com Ele, que Ele se alegra em conversar conosco, que Ele deixa de lado o que estiver fazendo para ouvir nossas orações; Ele quer gastar tempo conosco, quer ouvir nossas musicas, quer ouvir nossos louvores, quer ouvir nossas piadas e rir junto conosco, quer ser amigo íntimo, quer ouvir nossos segredos , quer sentar ao seu lado como passageiro enquanto você dirige seu carro, quer ser degustador daquela comida gostosa que tu fez e ninguém te disse que estava boa.

     Deus quer ser seu Pai bem próximo, seu Pai que te olha não apenas para te repreender pelos erros que comete, mas para te ensinar a não se machucar nos seus passos errados, esse Deus quer ser Pai em  sua vida, mas muitas vezes você não quer aceitar, pois te ensinaram que Ele é Deus todo poderoso e isso te distancia dEle, pois tu és todo pecador.

    Então conhecendo esse atributo maior de Deus, quero ir para a Tanzânia novamente e estar com as viúvas e órfãs sendo e ensinado sobre Pai, sobre paternidade; é nesse lugar que quero esta por algum tempo, cumprindo o chamado de Deus-Pai para minha vida. 

    Agradeço a todos vocês que estão participando do nosso ministério de missões, nos apoiando com suas ofertas e orações e espero continuar contando com vocês no próximo ano, quando retornaremos para a Tanzânia por um período maior.



Joberson Lopes,                                         Samambaia 30 de julho de 2011.


terça-feira, 19 de julho de 2011

Nem todos que me diz Senhor, Senhor entrará no Reino do Céu.


Nem todos que me diz Senhor, Senhor entrar no Reino do Céu.

Essa frase da bíblia é bem intrigante, pois pregamos sobre um Deus bom, zeloso, cuidadoso, que mandou seu único filho para morrer pela humanidade, faz milagres de multiplicação para os pobres e mesmo assim ainda terá pessoas que se enquadrará dentro desse versículo?
Fui visitar um orfanato muito carente aqui na Tanzânia e essa visita me deixou muito triste por algumas razoes. Uma por não poder fazer muito para ajudar meus irmãos que estão em necessidade e outra que mais me deixou com sentimentos mistos entre tristeza e decepção foi quando ao conversar com a líder do projeto, ela me relatou que um dia estava passando uma dificuldade tamanha que não tinha alimentos para as crianças e estava sem comer por muitas horas e quando resolver buscar ajuda, ele sendo cristã, foi procurar os cristãos, pois segundo o que ela tinha em mente, somos irmãos então ali encontrarei ajuda.
Ela me disse que os tais “irmãos cristãos” disseram a ela que não tinha comida para dar a eles; apenas ajudavam a própria organização deles... Ela saiu triste e desiludida com aquele gesto e foi buscar ajuda com os não cristãos e então conseguiu resolver o problema da fome naquele dia das crianças.
Eu compreendo que aqui na África tem muitas necessidades e que as pessoas não tem como ajudar a todos, mas penso que nós temos que nos esforçar para sermos mais parecidos com Jesus Cristo em suas ações e não apenas trabalharmos com o nosso racional financeiro em mente.
Aqui na Tanzânia muitas pessoas vão às igrejas e passam quase o dia todo lá cantando, dançando, dando avisos, pregando e cantando e cantando e por ai vai e ficam lá intermináveis 7 horas “cultuando” a Deus.
Dentro dessas igrejas todos dizem: Olá irmão, paz do Senhor irmão, Deus te abençoe irmão, mas na hora da fome, da necessidade não existe essa coisa de irmão e sim um “Mungo akubariki” por todo lado (Deus te abençoe).
Quantas vezes nós temos compaixão pelos irmãos, mas não fazemos nada para mudar esse quadro, apenas os abençoamos com palavras e abraços e cada um por si. Eu acredito que essa não seria a forma que Jesus Cristo trataria os seus irmãos.
Certa vez os discípulos chegaram ate Jesus e disse que a multidão estava com fome e Jesus disse a eles: “Dai vós de comer a eles”.
Quantas vezes vamos orar para que Deus abençoe ao próximo e Deus está nos falando: “Dai vós de comer a eles” e nós estamos negligenciando a voz de Deus, pois isso vai nos custar dinheiro, tempo, saúde, entre outras coisas. Viver o tempo todo chamado os outros de irmão é apenas um clichê ou como diria um bispo amigo meu, irmão é gíria de crente.
Nós temos que passar a viver esse evangelho ao qual cremos, o qual pregamos e entender que evangelho de Jesus não é apenas ir a igreja e fingir que as coisas estão bem para todos porque está tudo bem para nossa família. Deus quer usar os homens para abençoar os homens, mas o seu povo tem negligenciado o que estão vendo e ouvindo.
Acredito que quando foi escrito essa frase “ Nem todos que me diz Senhor, Senhor entrar no reino do céu” não foi para os não crentes, como muitos dizem e pregam dentro das igrejas e organizações missionarias, mas entendo que essa palavra é para nós que pregamos o evangelhos, para nós que dizemos ser seguidores de Jesus Cristo.
Entender a vida com Jesus Cristo é fácil, mas entender a vivencia da vida entre os cristãos é muito complicado para minha cabeça. Eu quero poder continuar tentando ser mais parecido com Jesus Cristo nas minhas atitudes e não em minha aparecia mas viver tentando isso no meio dos crentes está sendo um fardo pesado.

Joberson Lopes,                19 de julho de 2011 Morogoro- Tanzânia África.




sexta-feira, 8 de julho de 2011

Viagem à Tanzânia- Parte 1- Confiança


Viagem à Tanzânia- Parte 1- Confiança


Quero compartilhar com vocês os primeiros momentos da nossa viagem para a cidade de Morogoro na Tanzânia-África.
Saímos de São Paulo as 19h30min no voo da empresa aérea South African rumo a África do Sul num voo de 8 horas de viagem e em outro voo da África do sul para Dar es Salaam na Tanzânia, de mais 4 horas; Depois prosseguimos de taxi ate o centro da cidade para a rodoviária central e de lá, viemos de ônibus ate nosso destino final, Jocum-Morogoro, mais 5 horas de intenso calor e muito transito. Nesses voos nós tivemos varias experiências umas boas e outra nem tanto, mas vou relatar um das minhas experiências e em alguma oportunidade a Ellyda compartilha as dela.
Eu louvo a Deus pela vida de um missionário brasileiro que está morando aqui e foi nos buscar no aeroporto, Paulo Brito. Se nós tivéssemos que fazer esse trajeto do aeroporto para a cidade Morogoro sem ele, seria 10 vezes pior.
 Eu nunca tive medo de viajar de avião, mas nunca tinha viajado para fora do país em uma distancia tamanha como essa; Mas nessa viagem eu tive o pior dos sentimentos que, acredito eu, um ser humano possa ter: Medo de Morrer.
Eu tenho uma tia que nasceu morta, que conto uma historia que ela estava em um voo e o avião começou a ter problemas e todos estavam em pânico e com medo dentro do avião, mas tinha uma criança sentada ao lado dela sozinha, sem os pais, e brincando em quanto todos os adultos estavam temerosos do avião cair, mas a criança continuou brincando e sorrindo com seu joguinho sem esboçar nenhum medo e isso intrigou muito essa minha tia que nasceu morta, e ela perguntou para a criança: Garoto todos nós estamos em pânico e com medo desse avião cair, mas você é o único que está brincando e sorrindo; Você não tem medo de morrer ? Por que não está preocupado também como nós? O garoto respondeu: Eu não tenho medo porque é meu Pai quem está pilotando este avião.
Essa pequena historia relata um fato interessante e ao mesmo tempo integrante e mais tarde volto a falar nela, agora vou falar sobre minha experiência no voo do Brasil para a África do Sul.
Estava indo tudo bem, comendo boa comida, assistindo tv, lendo, entre outras coisas, quando de repente nós entramos numa turbulência tamanha, que pensei que o avião iria parar dentro daquele imenso mar negro abaixo de nós a qualquer momento.
Eu nunca tive tanto medo de morrer como naquele momento. Eu nunca orei tanto e com tanta ênfase como naqueles 3 horas desse voo. E o mais incrível foi que não adiantou nada a oração, o avião continuo em turbulência e eu continue com muito medo do avião cair e eu morrer e enquanto isso a Ellyda dormia como um anjo ao meu lado, ela apenas despertou um pouco com uns solavancos do avião e fez um comentário: Esses quebra-molas não são muito bons e voltou a dormir!!.
Naqueles momentos de turbulência eu busquei ter fé que todas as coisas estavam nas mãos de Deus e que se era o plano dEle nós levar naquele momento, eu estaria preparado para ir, mas eu só conseguia falar isso em oração no meu pensamento porque no meu coração, eu queria está era chorando aos berros e dizendo para Ele: Pai não me deixe morrer, eu não quero morrer agora...
Depois de varias horas de orações falsas pedindo por clemencia de Deus, ou outras horas falando que ele poderia fazer a vontade dEle comigo, eu não consegui mais manter a pose de durão perante Deus e então descarreguei nEle: O Senhor fez tantos milagres para eu e Ellyda chegar ate a África e agora nos iremos morrer nesse mar ? Por que isso está acontecendo? O Senhor quis nos enviar para missões transculturais apenas para morrermos? Deus me ajude a compreender tudo isso...
Quando comecei esses questionamentos a Deus, Ele me trouxe a memoria aquilo que poderia me dar esperança, me fez lembrar das promessas que tinham me feito, me fez lembrar da oração do meu pastor no culto de envio na Jocum –DF e essas lembranças muito me alegraram, mas ao mesmo tempo, muito me envergonhei perante Deus, pois vi que não consegui confiar em Deus no momento em que Ele mais provou que me amava, no momento do milagre da viagem ao qual tanto sonhamos, tanto divulgamos, tanto oramos...
Eu me senti uma pessoa tão sem fé em Deus como Pai, não consegui senti a paternidade de um Deus-Pai, não consegui enxergar naquela situação, onde estava o meu discurso de crente, onde foi parar toda minha pregação aos não cristão, de confiança em Deus.
Eu não consegui ser como a criança da ilustração que fiz acima, dentro do avião pilotado por seu pai, mas eu apenas fui mais um passageiro adulto, eu apenas me tornei novamente bastardo da paternidade de Deus pela falta da confiança nEle.
Nesse momento eu perdi o medo de morrer, mas ganhei a vergonha de viver sem confiar no meu Pai... Quando percebi isso, orei novamente a Deus, e pedi perdão pela minha falta de fé nEle, minha falta de confiança no cuidado dele comigo com filho que sou, pedi perdão por não compreender o Amou de uma Tal Maneira que deu seu filho... Pedi perdão por não confiar que Ele já tinha me amado antes mesmo de eu viver, me tornando filho dEle através de Jesus.
Depois dessa oração, eu senti o perdão de Deus e senti o seu conforto em mim, senti ele me passando a mão pela minha cabeça como um pai faz com um filho, esquecendo de mais uma mal criação que eu tinha feito, e me amou.
Agora aqui escrevendo esse texto para compartilhar com vocês meus irmãos, estou a chorar e muito sozinho, pois aqui são agora 2 horas da madrugada, e esse amor de meu Pai-Deus muito me constrange, então quero te encorajar a está confiando plenamente em Deus como Pai-Piloto da sua vida, não seja um adulto passageiro dessa aero-vida, mas seja um filho confiante que, ainda que a turbulência esteja tamanha lá fora e que todos ao seu redor estão em pânico devido a isso, mesmo assim você sabe em quem confiar você conhece o Pai que têm, você confia na habilidade de seu Deus-Pai em conduzir vidas!!
Depois de todos esses acontecimentos, eu nem preciso dizer que o restante da viagem foi uma maravilha de Deus-Pai em minha vida.
Vou para por aqui e tentar voltar a dormir, pois amanha tenho muita coisa para fazer e conhecer aqui na Tanzânia. Na semana que vem, vou compartilhando as outras experiência para vocês irem conosco nessa viagem.
Que o Espirito Santo de Deus que habita em você, continue falando e te dando confiança nesse Deus-Pai presente em sua vida!
A paz do Senhor Jesus Cristo seja o vosso arbitro.

Joberson Lopes, Morogoro, Tanzânia- África 08 de julho de 11.